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V(iv)endo por aí...

Olá, estou Viva da Silva e o meu ser habita por entre Livros, Amores e Lugares

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As Musas...quando nem os Deuses conseguem prever o enredo

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Depois do êxito da paciente silenciosa, este Musas era muito aguardado, no entanto as suas avaliações não são muito consensuais. Achei mesmo incompreensível a baixa avaliação deste livro no Goodreads, mas acho que nem todos temos gostos semelhantes. Porque na verdade o que me fez apaixonar por este autor com o seu primeiro best seller não foi a história em si e o facto de ser um thriller excitante e surpreendente, foi mesmo a sua escrita, a construção de personagens, bem como a desconstrução da mente humana que é tanto de brilhante como de inquietante e ainda a forma brilhante da sua narrativa descritiva e de como usa a arte em todas as suas vertentes nos seus livros. No primeiro havia a pintura e aqui existe a literatura clássica de Aristóteles e Eurípides, misturada com a mitologia grega, levando-nos da austeridade e sobranceria da universidade de Cambridge para as paisagens azuis e brancas da Grécia antiga.

Tal como na Paciente Silenciosa, seguimos uma perspetiva dupla. A visão principal dá-nos a conhecer Mariana, uma psiquiatra (neste caso especializada em grupos) que é chamada a Cambridge quando a melhor amiga de sua sobrinha Zoe é brutalmente assassinada. E, depois vamos lendo páginas duma espécie de diário de alguém que é deveras perturbado psicologicamente, mas que eu não consegui perceber bem quem era, muito honestamente. Eu achei todo o mistério muito intrigante, com várias personagens perturbadoras e achei que a história não tinha ficado completamente fechada (e ainda não quis ler nada sobre o "Fury", mas não ficaria surpreendida se de alguma forma esse livro fechasse esta história, bem como a ligação estranha com o primeiro livro, que não pode ser só circunstancial).

Voltando ao plot deste "As Musas" posso dizer que parece um livro meio aborrecido, mas no fim, são tantos os plot twists que chega a ser meio confuso até para um leitor atento, como eu. Acho mesmo que o Alex Michaelides pode ser a versão masculina de Taylor Swift, porque deixa migalhas para o leitor ir tentando desvendar o caso (sendo que sabemos que vai haver algo surpreendente, só não sabemos o quê, nem quando), depois existem inúmeras referências incríveis e eruditas ao longo dos livros e por fim a questão da ligação sinistra entre os personagens dos livros. Portanto, aqui não temos o hospício como pano de fundo, mas sim este campus idílico do ensino superior que esconde definitivamente algo sinistro  sob a superfície. A rapariga encontrada morta e desmembrada era membro das Musas, uma sociedade secreta de belas estudantes liderada pelo carismático Professor Fosca. Sendo que, Mariana (e nós) imediatamente suspeita de Fosca, ficando obcecada em provar sua culpa. Vão existindo mais raparigas mortas e o perigo aproxima-se de Mariana, mas duma maneira que ninguém estava à espera. Foi sem sombra de dúvidas um dos meus livros favoritos dos últimos tempos e não poderia recomendar mais (dei 5 estrelas no GR).