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V(iv)endo por aí...

Olá, estou Viva da Silva e o meu ser habita por entre Livros, Amores e Lugares

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A Cicatriz, de Maria Francisca Gama

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Este era um livro que eu gostava muito de ter amado ler, porém desiludiu-me logo nas primeiras páginas. Tem uma premissa muito interessante, mas não adorei a forma como me foi apresentada.

Este é mais um daqueles casos em que a ideia é promissora, mas depois falha na execução. Claro que este "falhanço", na minha opinião, da forma como este livro está escrito, sobretudo até ao dia do evento, é muito subjetivo e acredito que de facto haja imensa gente a apreciar o estilo de escrita da autora. Eu achei que a forma como está escrito, quase como se fosse um blog, num diálogo constante com o leitor e até ao estilo de "13 reasons why" - porque desde cedo é óbvia, para mim, a forma como tudo irá acabar - não favorecia particularmente a mensagem que é bastante pesada e cruel. Esta forma de escrita, demasiado pessoal, puxa um público mais juvenil e lembra-me sempre livros YA (que, quando bem escritos, até gosto bastante), no entanto, este livro está longe de ser YA e é um livro bastante adulto, com um tema muito duro e, muito pessoal, para tantas mulheres.

De um modo geral, para não entrar muito em detalhes de modo a não "spoilar" a experiência de leitura a ninguém (sendo que eu acho que a autora faz isso sozinha e talvez seja uma das principais razões por eu não ter gostado tanto), não gostei nem do início, nem do desenlace final, por dois motivos bem distintos, opostos até. Inicialmente de facto achei tudo muito denunciado por parte da autora e eu sentia-me sempre desconfortável em pensar: "não Maria, ninguém, vai ficar surpreso com a tua grande revelação"; "ou, então, podes só parar um pouco com as teorias políticas, que não acrescentam nada a história e me parecem bastante perigosas neste tema?!" Mas depois, posso dizer que gostei bastante da parte intermédia do livro, toda aquela descrição "difícil" estava "brilhante" na decadência que o próprio tema impõe. Não me chocou, talvez porque partilho desse medo que me une à autora e já tenha pensado ("sonhado" e acordada aterrorizada com tal pesadelo) por várias vezes da minha vida (daí que se calhar o achei previsível em tantos momentos). Por último, achei um tanto perigoso o final que a autora escolheu e, também, um pouco inverosímil (não o fim em si, mas a forma como este se desenrolou).

P.S.: os fãs da autora que me desculpem e perdoem pela minha opinião honesta, juro que não sou hater e irei talvez dar mais uma oportunidade aos seus livros, até porque certamente não irá ser por uma opinião mais depreciativa que ela irá deixar de vender e escrever livros. Nem todos gostamos de ler as mesmas coisas, o mercado é vasto o suficiente para abarcar várias vozes e correntes literárias, pelo que eu só tenho a enaltecer todas as autoras portuguesas, tal como a Maria, que têm a coragem e a sorte de conseguir publicar um livro em Portugal.

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